domingo, 6 de março de 2011

Julian Plenti Is... Skyscraper.

Eleito por muitos a voz mais irritante da música indie, Paul Banks estabeleeu seu nome a partir do magnum opus de sua banda (Interpol), o Turn On The Bright Lights, que também pode ser considerado uma das obras primas do post-punk, mesmo vinte anos depois do surgimento do gênero. Depois de mais dois trabalhos como vocalista da mesma, ele decidiu, talvez percebendo a trágica decadência do Interpol, começar um projeto solo, e adotou o nome de Julian Plenti. Julian Plenti Is... Skyscraper, por Julian Plenti, pseudônimo de Paul Banks.

Voltando para 2009, posso tirar da minha memória a primeirão impressão que tive quando li sobre esse lançamento: "Paul Banks realmente queria viver da música". Sim, utilizei da primeira pessoa para citar tal pensamento, que para "novatos" não faz o menor sentido, mas apenas o digo pois lembro de ler entrevistas em que Paul (ou Julian) dizia que certas músicas do, resumindo, Skyscraper haviam sido compostas há um bom tempo, inclusive algumas já rolavam na web em gravações antigas, originadas por volta do ano de 2000, quando ele fazia apresentaçõessolo em bares de Nova Iorque. Pois então, desses pequenos fatos tirei aquela conclusão. A qual pretendo explicar melhor.

Os pontos mais fáceis de perceber com relação ao trabalho são a sinceridade das composições de Plenti e a imensa vontade de não soar como uma coleção de músicas renegadas pelos seus colegas do Interpol, esse último sendo um dos pontos fortes: só conseguiria encaixar "Games For Days" em um disco da banda. Mas os problemas surgem aqui e ali. O primeiro é, sem duvida, a dificuldade de aguentar o disco após algumas audições. As faixas, que eram um tanto divertidas no início, chegam ao nível do tédio, como é o caso da faixa título, "Skyscraper". Quase instrumental, a música apresenta uma grande beleza, mas vai ficando muito enjoativa com o tempo, chegando a provocar o pulo de faixa apenas com algumas notas.


O problema da falta de durabilidade logo tem uma explicação, a voz de Paul Banks nunca soou tão irritante. Um bom exemplo é "Games For Days", onde ele acentua seu poder vocal, e larga certos guinchos nazais que não estão no gibi, tornando a faixa citada uma das com pouca tolerância. As faixas que menos enjoam ("Girl In The Sporting News", "Unwind" e "On The Esplanade") justamente são as que a voz de Plenti sai mais limpa. Não por acaso a melhor faixa do álbum não contém a voz de Plenti.

Faixas como "No Chance Survival" e "Fly As You Might" soam iguais, sim, iguais. Elas são sustentadas por uma frase e uma melodia, diferentes, claro, mas com estruturas muito parecidas. São músicas agradáveis, sem nada impressionante, medíocres. Ao contrário de "Fun That We Have" e "Only If You Run", músicas cercadas de detalhes e com forte apelo ao "sing along", elas também são responsáveis pelo aumento do baque com a qualidade do resto das faixas, afinal, elas são as primeiras. "Only If You Run" ganhou destaque aparecendo nos créditos finais do filme Twelve, sucesso nos Estados Unidos.


As faixas mais calmas são um ponto alto, sendo bem diferentes das músicas tranquilas do Interpol. "Madrid Song" é bonitinha, "On The Esplanade" é uma das melhores faixas do trabalho, atmosférica e longe do rótulo "entediante". Os ouvintes atentos grudam fácil o ouvido em "Girl On The Sporting News": riff gostoso e melodia fácil.

No meio do disco surge uma explosão chamada "Unwind", que funciona como alguem nadando, subindo e descendo no volume, ela começa com um tom épico e acalma, depois voltando ao primeiro tom. Foi responsável por alguns sustos. Qaundo chegamos ao final nos damos de frente com "H", uma faixa quase instrumental (contendo apenas samples de uma voz que parece vir de um ritual obscuro oriental) a qual dediquei o conceito de "melhor música do álbum", e muito disso vem do fato de ela ser extremamente curta, provocando vários replays.


Após analizar e reanalizar as faixas, pesquisar sobre impacto histórico e reações da crítica, não restou dúvidas de que o disco não faz por merecer uma nota muito alta. Mas o mais impressionante foi a conclusão que cheguei para aquela frase la do início.

Analizando tudo o que foi feito na última década relacionado ao rock alternativo e ao song/songwriter, percebe-se que Skyscraper já nasceu velho, sim, ele larga a impressão de que as composições são antigas, e de que teriam muito mais impacto alguns anos antes. O trabalho soa como algo que Paul fez para caso o Interpol não desse certo. Mesmo sendo sincero e algumas vezes ousado, Skyscraper só merece a audição de reais fãs de Interpol, caso não seja, não desperdice seu tempo, você não vai ouvir nada que será muito importante ou relevante.