




Poucos que acessam meu blog, talvez ninguém, deve conhecer essa banda, pois revelo que eu também não a conhecia até o lançamento desse trabalho (seu primeiro em LP) e o ganho de grande destaque por parte de algumas partes da crítica, o que foi o suficiente para me fazer ouví-lo.
Mas para ser meu primeiro post no retorno ao exercício de blogueiro ele precisaria de algo fora do normal, e sabendo que se tratava de um disco de post-rock, já exclui ele dos possíveis destaques, pois nada mais repetitivo e normal que o estilo já citado, sendo que essa repetitividade anda atrapalhando várias bandas, que tem seus trabalhos classificados como apenas mais um do post-rock.
Eis que surge a surpresa, ao contrário de seu EP de estréia ("People Like People Like You", que se encaixa perfeitamente no esteriótipo de álbum normal citado anteriormente), os Spokes decidiram encarar riscos que poderiam causar má recepção por parte da imprensa especializada: Eles misturaram as orquestrações básicas de todo álbum dos Explosions In The Sky com as melodias épicas que circulam entre o indie e o pop do Arcade Fire, e o resultado consegue dar mais beleza ao "estilo de música mais belo".
Tudo começa com "345", que mais parece uma emulação de qualquer banda grande canadense, mas extremamente bem feita. Quem ouve apenas essa primeira faixa e não conhece a banda já os classificaria como Indie-Rock, o que pode se manter no início da segunda música, "We Can Make It Out", mas quanto mais ela evolui, mais se percebe a veia post-rock que abrange a banda, mesmo sendo excelente, a faixa traz uma desconfiança sobre como a banda vai seguir com o álbum.
Então você toma o primeiro soco. A faixa título, "Everyone I Ever Met", pega parte das melhores influências dentro do post-rock e junta com um clima assombroso, é o tipo de música perfeita do estilo, com levadas lentas de guitarras construindo o solo para o ápice, e é, principalmente, algo lindo e admirável. Só no final os vocais aparecem, e só melhoram o que já era bom, música nota 10.
A terceira faixa abre o apetite, que é completamente destruído pela quarta, "Sun It Never Comes", que, com seu clima lento, acalma os ânimos dos que se excitaram com os vocais épicos do final de "Everyone I Ever Met". Ela também mostra que Fleet Foxes já influenciou alguém pelo menos. "Give It Up To The Night" começa mantendo o clima lento da anterior, mas permite uma mudança quase brusca quando chega ao que poderia ser chamado de refrão. No final ela é apenas mais uma ótima música.
A partir de então o disco começa a se nivelar por cima. "Peace Racket" é mais uma obra digna de Sigur Rós das antigas, levada por um excelente trabalho de cordas e harmonias vocais de invejar Brian Wilson. "Torn Up The Praise" é outra que leva os vocais gritados e épicos de Arcade Fires da vida, e que a partir da metade começa a respirar post-rock, tornando-se uma das melhores do álbum, com absoluta certeza.
Então eles se repetem... mas de jeito nenhum isso é ruim. "Cannon grant" é outra música que abaixa os ânimos, uma piano e voz bem arrastadinha, graças a deus eles foram espertos e deixaram ela com apenas 1:48 minutos. Depois de ficar calminhos somos apresentados à uma introdução que dura 3 minutos, mas que impressionou ao ponto de cair o queixo. Quando os vocais e a bateria enfim rompem o silêncio "Happy Needs Colour" se revela uma grande obra, e já uma das concorrentes a melhor música do ano.
A essa altura as expectativas para com o final do trabalho estavam muito altas, e "Forever That Bridge" começa exatamente como grande parte das músicas do álbum, mas quando ela atinge sua metade também atinge seu diferencial: Violinos levando um clima épico. Um praxe do post-rock, mas que aparece pela primeira vez. Isso só mostra o quanto eles tentaram ser diferentes, e, mais uma vez, isso é muito bom. "When I Was A Daisy, When I Was A Tree" encerra o disco com chave de ouro. O instrumental é realmente fascinante nessa faixa, explorando vários sons acompanhando uma melodia leve e aconchegante, é, das músicas mais longas, a mais calma, aí está mais uma diferença.
Após o fim da audição podemos chegar à conclusão de que "Everyone I Ever Met" é um álbum em que cada faixa tem seu próprio "jeito". Ele foge do normal do post-rock como já citado, e alcança limites pouco explorados pelo estilo, como o do som mais comercial, isso posiciona os Spokes um passo acima de bandas mais velhas, agora só falta eles serem descobertos, e isso só uma tal de Pitchfork pode fazer.

Depois de alguns meses desativado por conta de estudos visando a passagem no vestibular (\O/) e merecidas férias, eu reativo meu blog antigo, esse que você está visitando.
Excluí alguns posts desnecessários, deixando apenas o melhor do conteúdo antigo (dois álbuns dignos de "PQP que foda!" e uma listinha dos Arctic Monkeys).
Tentarei ser mais profissional, pois agora sou um futuro estudante de jornalismo da UFRGS.
OBS: NÃO vou escrever SÓ sobre música.